Depois de ter ido ao show do Bring Me The Horizon na quinta-feira (28), eu não esperava muito do show no Allianz Parque. Um show intimista sempre foi a minha praia: menos pessoas, mais interações, som melhor e um público formado por quem realmente era fã, gente que ficou dando F5 no site para comprar ingressos que esgotaram em poucos minutos.
Apesar de o Allianz ser o melhor estádio que temos para shows, para mim, nunca se compararia a um show na Audio. Errado eu estava. O conceito NEx GEn, que o Bring Me The Horizon queria mostrar para ampliar sua ideia tecnológica, funcionou perfeitamente no estádio – muito mais do que em um show pequeno.
Com o conceito de uma Inteligência Artificial, Eve, que conversa com o público durante o show e busca “melhorar” a humanidade, a banda superou as expectativas de muitos ali presentes que achavam que seria apenas mais um show de metalcore e rock alternativo.
Começando com DArkSide e passando por músicas clássicas como MANTRA, AmEN! e Kool-AID, a banda se apresentou com telões que dariam inveja a qualquer parque de diversão que busca um simulador para deixar o público deslumbrado.
Os telões representando as letras das músicas e sendo modificados com efeitos de IA ao vivo ajudavam a contar a história do que estava acontecendo, fazendo muitos ficarem de boca aberta com todo o dinheiro investido nos visuais. O show de luzes, fogos e fumaça era tão exagerado (de uma forma positiva) que muitos até brincavam: “Virou Alok, agora?”.
Tudo funcionou perfeitamente para criar o que eles mais queriam: imersão.
Para quem não é fã de toda essa pirotecnia, os famosos mosh estavam presentes. Não era um, eram vários! Para todo lado que você olhava, tinha algum grupinho se batendo. Oliver Sykes, conhecendo o seu público, incentivava a todo momento.
Falando no crush de adolescente de muitos, Oli ainda consegue impressionar com o seu vocal e sua técnica de screamo, que causa inveja a todos. O que ele impressiona no vocal, perde na sua pronúncia do português. Mesmo com CPF e morando no nosso país, Oliver ainda fala o português de forma engraçada e com muito sotaque. Mas isso nunca será um ponto negativo, pois gera momentos ótimos como “Feijoada de Put*” e “Grati-fuckin-Dão”.
Mesmo sendo um dos melhores shows que eu fui este ano, uma escolha da banda fez com que eu e muitos ali presentes nos desapontássemos um pouco. Na música Antivist, o ritual é sempre chamar um fã para subir no palco e cantar com a banda. É um momento esperado, assim como quando os fãs sobem em Misery Business, do Paramore, ou Closer To The Edge, do 30 Seconds To Mars.
Muitas plaquinhas foram levantadas nesse momento para tentar a sorte de serem escolhidos. É um momento único para os fãs que se dedicaram para estar ali. Mas isso não aconteceu. A banda trouxe como convidados especiais MC Lan e Di Ferrero, do NX Zero. Apesar de a participação ter sido agradável, poderia ter acontecido em algum outro momento. Para mim, foi o momento errado.
Tirando esse ponto, o show foi espetacular. Todo o valor investido com mídia, filmagens, pirotecnias e efeitos visuais valeu a pena. Follow You e Can You Feel My Heart geraram coros que ecoavam o estádio de forma ininterrupta até a banda se despedir para o seu encore, enquanto mais um vídeo da Eve avançava na história e mostrava imagens antigas da banda de quando começaram.
Com dedicação a Pedro Miranda, um fã muito ativo que faleceu recentemente, Drown emocionou a todos com bexigas pretas e brancas que preencheram o estádio. Oliver aproveitou para pegar uma Handycam e se aproximar do público, com tudo que gravava sendo transmitido nos telões.
Throne fechou a noite, e os comentários que eu ouvi foram só coisas boas. Todo mundo saiu de lá desnorteado, feliz por ter vivido aquilo e por ter participado do maior show que o Bring Me The Horizon já fez em toda a sua carreira.
Para vídeos do show, acesse o nosso instagram: https://www.instagram.com/cometobraziloficial/
Agradecimentos à equipe do BMTH, Trovoa e 30e.
Créditos das fotos: @anendorf / @30ebr